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Na noite de 17 de julho de 1918, o porão da Casa Ipatiev em Yekaterinburgo foi palco do brutal assassinato da família real russa. O czar Nicolau II, sua esposa, a última Czarina Alexandra Romanov, seus cinco filhos e alguns membros do serviço, incluindo o médico imperial, faleceram, encerrando uma história, a da dinastia Romanov, que governou a Rússia por três séculos.

Alexandra Romanov nasceu no dia 6 de junho de 1872, batizada com o nome de Alice Vitória Helena Luísa Beatriz, ela foi uma princesa alemã do ducado de Hesse, um território da atual Alemanha, filha do Grão-duque Luís IV de Hesse-Darmstadt e sua esposa a princesa Alice do Reino Unido, ela também era neta da Rainha Vitória da Inglaterra.

Ela era chamada carinhosamente pela família de Alix. O território da sua família era pequeno, tinha dificuldades econômicas e não tinha grande influência política no cenário europeu, portanto, eles viviam sem grandes luxos, mas era uma família feliz.

A familia Hesse en 1876
Alix e sua família

Infância e a perda precoce da mãe

No ano de 1878, a casa de Hesse foi acometida por difteria, uma doença que atingiu quase toda sua família. Infelizmente a filha mais nova do casal, Maria, acabou falecendo aos quatro anos. Quando os outros membros da família começaram a melhorar, a sua mãe ficou doente e também faleceu. O caráter tímido de Alexandra Romanov se acentuou ainda mais após essa tragédia.

Após a morte de sua mãe e sua irmã, Alexandra e seus irmãos ficaram sob a supervisão de sua avó, a Rainha Vitória.

Ela foi crescendo, sendo criada entre a sociedade alemã e inglesa, e ainda assim, se tornou uma garota retraída, calada e delicada. Ela era uma jovem de grande beleza e olhos tristes.

O encontro com Nicolau II da Rússia

No ano de 1884 ela foi ao casamento de sua irmã Elizabeth com o Grão-duque Sergei Alexandrovich em São Petersburgo. Nesse casamento ela conheceu seu primo de segundo grau, Nicolau, eles se afeiçoaram muito, e acabaram se apaixonando perdidamente.

Nicolau II da Rússia
Nicolau II da Rússia

Os pretendentes começaram a aparecer, mas ela rejeitava a todos, pois, não estava interessada em um casamento arranjado sem amor.

A rainha Vitoria, tentou convencê-la a se casar com seu neto, o príncipe Albert e assim ela se tornaria rainha consorte do Reino Unido no futuro. Mas Alix recusou, pois ela o via apenas como primo e não de forma romântica. Assim se repetiu com as outras ofertas que ela foi recebendo. O seu coração já tinha dono e era o Czarevich Nicolau, herdeiro do trono Russo.

Em janeiro de 1890, Alix foi visitar sua irmã na Rússia, lá, ela e Nicolau aproveitaram a ocasião para passarem o tempo juntos e se conhecerem melhor. Eles estavam claramente apaixonados, mas a origem alemã dela e o fato de sua família não ser tão importante complicariam a possibilidade dos dois se casarem.

A desaprovação do casamento por parte das famílias

Decidido a se casar com ela, Nicolau tentou convencer seus pais a permitirem o casamento, mas o czar Alexandre III e sua esposa Maria, não gostavam da ideia de Alix ser a futura Czarina. Por conta disso eles tentavam arranjar a união de seu filho com outra mulher de uma família nobre na Europa. Do mesmo modo, a rainha Vitória também não concordava com essa ideia dos dois se casarem, ela até gostava de Nicolau, mas ela não gostava do czar e nem de sua esposa. Detestava ainda mais o fato de que a Alix teria que ir morar longe da proteção dela.

O pedido de casamento

Em 1894, Nicolau, aproveitou a ocasião do casamento do irmão de Alix, para pedir a mão dela em casamento. Apesar de estar muito apaixonada, ela também era muito religiosa e não queria deixar de ser luterana para se converter à igreja Ortodoxa Russa. Por isso,e acabou rejeitando o pedido de Nicolau. A irmã de Alix, a grã-duquesa Elizabeth, lhe explicou que as duas religiões eram muito parecidas e que não havia nada de errado se ela ingressasse na Igreja Ortodoxa. Após isso Nicolau fez uma segunda proposta e assim os dois ficaram noivos em abril de 1894.

Em 1 de novembro de 1894, Alexandre III morreu deixando seu filho Nicolau como o próximo czar da Rússia. Nesse mesmo dia ele recebeu o título de czar, se tornando o czar Nicolau II. No dia seguinte, Alix ingressou na Igreja Ortodoxa e mudou seu nome para Alexandra Feodorovna.

Alexandra Romanov e Nicolau II

O casamento estava programado para o ano seguinte, mas Nicolau adiantou o casamento, pois, ele queria Alix no trono ao seu lado. Em 26 de novembro de 1894, Nicolau II e Alexandra se casaram no Palácio de Inverno de São Petersburgo.

Tragédia na coroação

Em 26 de maio de 1896, aconteceu a coroação real do casal, cerca de 500 mil pessoas foram para Moscou para celebrar a coroação. Durante as festividades seriam distribuídas lembranças e comida para o povo.

Porém, na manhã do dia 29, aconteceu uma tragédia, rumores de que não havia comida suficiente para todos se espalharam. Assim muitas pessoas entraram em pânico e correram. A região em que o evento estava acontecendo era um terreno acidentado com preparações insuficientes para tantas pessoas. O número de guardas também era pequeno demais para controlar uma multidão, por conta desses fatores, mais de 1200 pessoas morreram e estima-se que entre 9 mil e 20 mil pessoas se machucaram.

Coroação de Nicolau II e Alexandra Romanov
Coroação de Nicolau II e Alexandra Romanov

Mas, ainda assim, o banquete seguiu em outra parte desse grande campo. Muitas pessoas não sabiam o que estava acontecendo, mais tarde o casal real visitou o local. Nesta mesma noite o czar cometeu um erro gravíssimo, ele e sua esposa foram a um baile que a embaixada francesa dedicou ao casal. O povo viu isso como falta de respeito aos mortos e isso marcou a imagem do casal como governantes que não amavam seu próprio povo.

Nascimento de seus filhos

Depois de pouco mais de um ano do casamento, a primeira filha do casal nasceu, a Grã-duquesa Olga Nikolaevna. O nascimento dela foi uma grande alegria para seus pais, ainda que desde o noivado, Alexandra estivesse sob muita pressão para ter um filho homem.

Em 1897 nasceu a segunda filha, Tatiana, em 1899 nasceu a terceira, Maria, e logo depois, em 1901 nasceu a quarta filha, Anastásia. Entao, em 1904 nasceu Alexei o quinto filho, o nascimento de seu filho foi uma alegria no começo, afinal finalmente o czar tinha um herdeiro. Mas logo cedo foi descoberto de ele tinha hemofilia, como muitos de seus familiares por parte de mãe e isso acabou com a alegria deles.

A família de Alexandra e Nicolau II
A família de Alexandra e Nicolau II

A relação entre Nicolau e Alexandra foi desde o início muito boa, eles se amavam e sempre estiveram juntos. A czarina não gostava de ir a eventos públicos devido à sua extrema timidez.

Ela também quase não tinha amigos e preferia ficar sozinha com o marido e os filhos a estar perto de muita gente.

Seu modo de se portar desagradava muito os nobres e o povo russo, além disso, ela infelizmente não falava russo muito bem.

A doença de seu filho Alexei

A doença de Alexei era mantida em segredo, a família imperial não queria que as pessoas descobrissem sobre a fraqueza do herdeiro do império.

Alexandra estava procurando uma cura para essa enfermidade, trazendo médicos de toda a Rússia, mas nenhum tinha a solução para essa doença.

Ela se entregou à religião, buscava um pouco de esperança em cada oração. Ela também fez grandes obras de caridade, até que um dia apareceu um homem estranho que disse ter a cura para o pequeno Alexei.

Esse homem era Grigori Rasputín, ele tinha a fama de curandeiro e místico na Sibéria.

Muitas pessoas da nobreza aconselharam-na que ele era uma fraude, um mentiroso, manipulador e vigarista, adjetivos esses que realmente caracterizavam-no, mas ele também era muito carismático e com esse carisma que ele conquistava e manipulava as pessoas.

Alguns até ficaram com muito medo das consequências causadas pela presença daquele homem na corte.

Grigori Rasputín

Nicolau não confiava em Rasputín, ele até tentou afastá-lo, mas Alexandra depositava nele todas as esperanças, acreditando que ele realmente era capaz de curar seu filho.

A confiança em Rasputín

Na primavera do ano de 1907, Rasputín foi convocado para tratar de uma hemorragia em Alexei. No dia seguinte ao tratamento ele estava realmente melhor, esse acontecimento fez com que a confiança de Alexandra nele aumentasse.

Desse modo, ela convenceu o marido a colocá-lo num cargo no palácio para estar próximo caso Alexei precisasse de algum tratamento.

Outra situação que aumentou a confiança da czarina aconteceu em 1912, durante uma viagem à Polônia. Alexei se feriu na perna, sua mãe convocou todos os médicos possíveis para tratar o garoto, mas nenhum deles teve êxito.

Já se havia até elaborado um telegrama formal para declarar a morte do herdeiro do império, Alexandra estava desesperada e assim enviou um telegrama para Rasputin.

Ele respondeu dizendo para que ela que Deus tinha ouvido as suas preces, o pequeno não morreria e ela apenas não deveria deixar os médicos o incomodarem demais.

Essa resposta coincidiu com os primeiros sinais de melhora do pequeno Alexei, depois desse evento inexplicável a confiança que ela tinha no curandeiro se tornou absoluta, denominando-o de “mensageiro de Deus”.

Com esta proteção, Rasputin passou a influenciar a Corte e principalmente a família imperial russa, colocando homens de confiança dele em posições de poder dentro da Igreja Ortodoxa Russa.

Alexandra Romanov e seu filho Alexei

Essa influência de Rasputin desagradava enormemente ao povo e a nobreza, eles não entendiam o porquê da presença daquele homem tão estranho e desagradável, afinal, eles não sabiam da doença do pequeno Alexei.

Boatos de um caso entre Alexandra Romanov e Rasputín

Dessa forma, surgiram vários rumores e boatos de que Rasputín e Alexandra tinham um caso,. Inclusive, que foram espalhados pelo próprio Rasputín.

A maioria dos historiadores, senão todos, afirmam que Alexandra e Rasputin jamais tiveram um caso. Ela era totalmente apaixonada pelo Czar.

Mesmo assim esses boatos direcionados á uma czarina que não era bem vista eram extremamente efetivos em difamar á família imperial.

A Primeira Guerra Mundial

Com o começo da Primeira Guerra Mundial Nicolau decidiu marchar ao lado de suas tropas, tropas essas que eram não apenas soldados, mas também trabalhadores.

Logo com essas pessoas saindo da cadeia produtiva o país enfrentaria problemas econômicos. Essa decisão de comandar suas tropas diretamente foi um erro tremendo do Czar, pois, ele não era um estrategista militar e sendo o comandante das tropas, ele era considerado o culpado das diversas derrotas. O império russo foi a nação que mais perdeu soldados durante a Primeira Guerra Mundial.

Durante a guerra, Alexandra Romanov e suas duas filhas mais velhas trabalharam como enfermeiras para a Cruz Vermelha, mesmo se esforçando para ajudar os feridos, sua imagem com o povo não melhorou.

O Governo desastroso de Alexandra Romanov

Essa decisão dele de ir pessoalmente para a guerra teve outra consequência severa, afinal, como o czar estava longe na guerra, quem comandava o país na sua ausência era a czarina.

Com Alexandra no comando do país, a situação só piorou, sua administração foi péssima, ela não tinha nem a experiência e, nem o treinamento necessário para governar.

Para agravar ainda mais a situação, ela foi fortemente influenciada por Rasputin. Além de sua péssima administração, o povo a odiava por ser alemã e por ter familiares do outro lado da guerra.

No ano de 1916, Rasputin foi assassinado. Isso abalou a czarina que agora estava sem o seu querido conselheiro e também o cuidador e salvador do seu filho.

Protestos contra o governo

Em 1917 os protestos já estavam incontroláveis, os grupos políticos opositores ao governo estavam unidos para acabar com o império. Nicolau, então, viu sua última garantia de poder se esvair, quando os seus próprios soldados se uniram aos revolucionários contra o Império Russo.

Sem opções, Nicolau abdicou, e também tirou os direitos de seu filho ao trono, para que não fosse perseguido.

Ele pediu ao seu primo, o rei George V da Inglaterra ajuda para levar sua família para Reino Unido, esse pedido foi aceito de primeiro momento, mas o sentimento de revolta e impopularidade da monarquia dentro do Reino Unido eram tão grandes que George mudou de ideia e negou asilo ao seu primo, esse ato que ele se arrependeria pelo resto de sua vida.

Emboscada e assassinato da família real

A família real foi confinada no Palácio de Alexandre, mas no verão de 1917, foram transferidos para Tobolsk.

Lá eles permaneceram até depois da Revolução de Outubro, mas acabaram sendo deslocados pelos bolcheviques, comandados por Lenin, para a cidade de Ecaterimburgo em abril de 1918.

Nesse lugar, eles passaram apenas alguns meses com um pequeno grupo de servos. Na madrugada do dia 17 de julho de 1918, a família foi levada para o porão do prédio onde estavam hospedados com a premissa de que seriam fotografados e depois iriam para um novo abrigo onde estariam mais seguros.

Representação da morte de Nicolau

No porão, Alexandra pediu que trouxessem duas cadeiras para que ela e Alexei se sentassem. Depois disso, eles se arrumaram e estavam esperando para serem fotografados quando homens armados entraram na sala e renderam a família e seus serviçais.

Nicolau foi o primeiro a ser assassinado, e em seguida, eles atiraram em Alexandra Romanov, sua família e nos serviçais.

As filhas de Alexandra estavam usando joias por baixo das roupas que pararam as balas, quando os assassinos perceberam isso eles as mataram com baionetas e com golpes na cabeça.

Os cadáveres foram transportados na manhã seguinte para uma mina na floresta, eles foram colocados numa cova, depois desfigurados com ácido sulfúrico, queimados, e enterrados, para dificultar que fossem encontrados todos os corpos de uma vez eles enterraram Alexei e Maria distante dos outros.

Identificação dos corpos com a tecnologia de DNA

Em 1979, a cova principal foi descoberta, porém esse descobrimento não foi revelado até 1991, por conta da dominação soviética.

Após o fim da união soviética, os corpos foram levados para realizar testes de DNA e somente no ano de 1998 quando foram finalmente identificados como os corpos dos czares e três de suas filhas.

Os restos mortais do pequeno Alexei e uma de suas irmãs não foram encontrados, o que deu força ao relato de uma garota admitindo ser Anastásia em 1921, criando uma lenda em torno da figura da jovem de que ela havia escapado do terrível assassinato, mas os testes mais precisos sobre os restos mortais revelaram que um dos corpos era o de Anastásia.

Em 2007 os esqueletos de 2 jovens foram encontrados nessa região, após estudos dos ossos concluíram que pertenciam a Alexei e sua irmã Maria, toda a família imperial está sepultada na Catedral de São Pedro e São Paulo em São Petersburgo, juntos dos seus ancestrais.

Catedral de São Pedro e São Paulo em São Petersburgo
Catedral de São Pedro e São Paulo em São Petersburgo

Assista sua biografia completa abaixo:

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